Arquivo da categoria: Tópicos Recentes

Matéria no Portal Aprendiz

Captura de tela de 2016-04-12 09:02:48.png

Desde 2008, a roda de capoeira está no rol dos patrimônios culturais imateriais do Brasil declarados pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Diretamente ligada à história da resistência negra – tanto durante como depois da escravidão –, em 2014, a herança cultural afro-brasileira ganhou o mesmo título da UNESCO, desta vez consagrando-a como um patrimônio da humanidade.

Diferentemente do tombamento de prédios históricos, o registro embasa o desenvolvimento de políticas públicas para a manutenção e ampliação deste patrimônio imaterial. Foi ele, inclusive, o ponto de partida para que o Instituto Ibaô, projeto de preservação e memória da capoeira sediado em Campinas, pudesse repensar seu papel na comunidade local.

Continuação…

Por Danilo Mekari

Expressões periféricas #ritmo e #poesia. Salve o RAP nacional!

No dicionário “sarau” possui varias definições, entre elas: “uma reunião festiva entre amigos onde se ouve músicas, assiste filme, filosofa, lê trechos de livro, recitam poesias”. Tudo isso aconteceu sábado, na edição de setembro do Sarau Ibaô Expressões Periféricas. Mais um encontro de pessoas que acreditam no poder da expressão poética, seja através da poesia recitada, cantada, performada, sentida, muita linguagem periférica exprimida. Noss@s parceir@s não mediram esforços para fortalecer, vieram de todas as regiões de Campinas e da Capital SP, provando que não há distância quando o quê prevalece é o desejo de transformação das realidades periféricas. Tod@s carregad@s de energia vibrante, pulsando desejo de expressão.

O Expressões Periféricas é um espaço aberto para a comunidade se manifestar, o microfone aberto é o lugar de se posicionar e de transformar. É a comunidade acolhendo a comunidade, é o olhar coletivo que transforma e é transformado. Arte e poética transformando a ação, a transformação social que reverbera através da potência das linguagens artísticas, da poesia e do coração. A poesia que se faz e reverbera amor. Cada sarau é um sarau, um aprendizado, uma emoção, muitos corações unidos pela canção… O mundo precisa de poesia, o mundo precisa de sarau.

As diversas formas e linguagens de pulsar a cultura nas comunidades periféricas são quase sempre a soma de potências criativas invisibilizadas, pouco ou quase nada incentivadas. Ainda assim[!], as expressões periféricas reescrevem um outro capítulo nas páginas das desigualdades, revelando outros universos possíveis, apesar das ausências sociais e afetivas, sempre multiplicadas.

A edição de setembro foi um encontro improversado de vári@s rappers, chamando foco para o peso e a importância do rap e do hip hop, como fontes inesgotáveis de comunicação, linguagem, produção cultural e artística. Seu nascedouro e fonte de inspiração primária são as ruas, os guetos, favelas e todos os lugares localizados à margem dos fluxos econômicos e não o bastante, lugares que alimentam as estatísticas produzidas e mantidas pelas grandes corporações midiáticas. Aquelas que só chegam para noticiar a violência e não para desesconder ou projetar a arte que este mesmo lugar produz…

Marcaram presença na noite de sábado: Doutor Sinistro, Lê MC, REN CPS, Mister Mistério, Lá Máfia, RCDR, Cizo Marfim, HAAK MC e Kabbalah MC’s [de Campinas], com participação especial do Crônica Mendes, que saiu da capital para prestigiar nosso sarau e deixou seu recado musicado “Avisa lá que a favela não tá só…” Seguimos alimentando nossos sonhos, acreditando que a sociedade transformadora e transformada, é essa, vivida na dureza do dia a dia, buscando meios próprios de criar e dizer ao mundo como as coisas podem mudar [e já são diferentes], quando a escolha é compartilhar a soma das potências criativas [e afetivas].

Texto | [Co]Criação: Andrea Mendes, Lu Pontes e Ale Gama.

Afoxé Ibaô na Estação

Ontem (sábado, 22) retornamos com os ensaios abertos do Afoxé Ibaô Inã ati Omi. Os encontros serão quinzenais, alternando os locais entre o barracão do Ibaô e Estação Cultura, durante o mês de setembro. O próximo na Estação Cultura será dia 12/09 e no Ibaô, dia 29/09, à partir das 14h. Vejam algumas imagens de ontem, registradas pela nossa querida @Mandy Castro e sejam bem vind@s nos próximos encontros! AXÉ!

Maracatu também recebe o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil

IMG_2149
Mãe Elda, Rainha do Maracatu Nação Porto Rico, PE. Foto: Acervo do Inventário Maracatus Nação | http://inventariomaracatusnacao.blogspot.com.br

Mais uma expressão foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, a cerimônia aconteceu em Recife, reunindo várias nações no Pátio São Pedro, em agosto desde ano, mas o título já havia sido concedido em dezembro de 2014.

Participaram da celebração os Maracatus Aurora Africana, Estrela Brilhante do Recife, Cambinda Estrela, Leão da Campina, Encanto da Alegria, Nação Tupinambá, Encanto Pina, Nação Porto Rico, Nação Tigre, Almirante do Forte, Cambinda Africano e Raízes de Pai Adão.

Para Marcelino Granja, secretário de Cultura de Pernambuco, o reconhecimento da importância do maracatu para a cultura popular do País pode auxiliar a manifestação a não cair no esquecimento. “Além de ajudar a preservar essa expressão da nossa cultura popular, este título cria as condições necessárias para que ela possa se desenvolver e continuar interagindo com as futuras gerações. A certificação dá visibilidade à tradição e possibilita sua presença no cenário cultural do Estado e do Brasil”, afirmou Granja.

Na cerimônia, que terminou com apresentações de todas as nações presentes, representantes dos maracatus e da Associação dos Maracatus Nação de Pernambuco (AMAMPE) receberam certificados de titulação dos Maracatus Nação de Pernambuco no Livro de Registros das Formas de Expressão.

Fonte: Jornal do Comércio

Patrimônio Cultural Imaterial, valorizar e salvaguardar os saberes do povo! 

Os conhecimentos da população, que se expressa por meio de diversas manifestações e que fazem parte da identidade cultural dos mais variados grupos sociais, são parte do patrimônio cultural do país. O patrimônio cultural de um povo diz respeito ao conjunto de manifestações ligadas aos sentidos e valores, as formas de se organizar coletivamente, inclusive os rituais, as festividades, expressões e os lugares que as manifestações acontecem, entre outras referências.

Agbê, também conhecido como Xequrê ou Afoxé. Foto: Acervo Ibaô.

As diferentes formas de compartilhar histórias e memórias coletivas, pelos costumes, crenças, ofícios, cantos e musicalidades, formas de celebrar ou dos modos de se fazer ou construir algo – como um instrumento musical ou uma receita típica – são considerados patrimônios intangíveis ou imateriais.

São bem culturais que ligam as pessoas através “do invisível”, transmitidos entre várias gerações e que permanecem vivas, pela importância para uma ou várias comunidades. Diferente das construções e edifícios, por exemplo, as manifestações culturais não podem ser “tocadas”, como a fala ou, a criação artística ou as maneiras de se fazer os objetos, por isso é considerada “imaterial”.

A legislação brasileira, por meio de decretos, leis e outros instrumentos, podem reconhecer, bem como, garantir a manutenção, continuidade e preservação das práticas e reconhecidas e registradas pelos instrumentos de proteção. A proteção e preservação do patrimônio imaterial é chamada de “salvaguarda”.

Chocalho de Caxixis, confeccionado pelo Mestre Zé Negão, da Sambada da Laia, de Camaragibe, PE. Foto: Alessandra Gama (2015).
Chocalho de Caxixis, confeccionado pelo Mestre Zé Negão, da Sambada da Laia, de Camaragibe, PE. Foto: Alessandra Gama (2015).

As diferentes formas de compartilhar histórias e memórias coletivas, pelos costumes, crenças, ofícios, cantos e musicalidades, formas de celebrar ou dos modos de se fazer ou construir algo – como um instrumento musical ou uma receita típica – são considerados patrimônios intangíveis ou imateriais.

São bem culturais que ligam as pessoas através “do invisível”, transmitidos entre várias gerações e que permanecem vivas, pela importância para uma ou várias comunidades. Diferente das construções e edifícios, por exemplo, as manifestações culturais não podem ser “tocadas”, como a fala ou, a criação artística ou as maneiras de se fazer os objetos, por isso é considerada “imaterial”.

Assista aqui o vídeo do Seminário de Patrimônio Imaterial, organizado pelo Ibaô

A legislação brasileira, por meio de decretos, leis e outros instrumentos, podem reconhecer, bem como, garantir a manutenção, continuidade e preservação das práticas e reconhecidas e registradas pelos instrumentos de proteção. A proteção e preservação do patrimônio imaterial é chamada de “salvaguarda”.

SONY DSC
Samba de Cumbuca (PI). Apresentação na Teia Nacional do Cultura Viva, em Fortaleza, CE. Foto: Alessandra Gama (2010).

Neste sentido, é fundamental que os detentores, ou seja, as pessoas e comunidades que praticam, produzem e dão vida ao patrimônio cultural, estejam em diálogo e compartilhem dos processos de reconhecimento, junto aos órgãos de preservação. Esta participação é prevista na Constituição Federal e na Convenção da UNESCO de 2003, entre outros marcos legais. Com a participação dos detentores, é possível identificar recomendações para a implementação das ações de salvaguarda.

Em nosso próximo post, abordaremos sobre os Inventários Participativos, uma metodologia que colabora para a articulação e participação ativa dos detentores na produção de conhecimentos e nos processos de registro do patrimônio cultural imaterial.

Até lá!

Contribuição textual: Ale Gama | Ibaô