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Desde 2008, a roda de capoeira está no rol dos patrimônios culturais imateriais do Brasil declarados pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Diretamente ligada à história da resistência negra – tanto durante como depois da escravidão –, em 2014, a herança cultural afro-brasileira ganhou o mesmo título da UNESCO, desta vez consagrando-a como um patrimônio da humanidade.

Diferentemente do tombamento de prédios históricos, o registro embasa o desenvolvimento de políticas públicas para a manutenção e ampliação deste patrimônio imaterial. Foi ele, inclusive, o ponto de partida para que o Instituto Ibaô, projeto de preservação e memória da capoeira sediado em Campinas, pudesse repensar seu papel na comunidade local.

Continuação…

Por Danilo Mekari

Afoxé Ibaô Inã ati Omi abre a Noite dos Tambores do Revelando SP

Foto: @Mandyh Castro
Foto: @Mandyh Castro

No último sábado (26), o Afoxé Ibaô Inã ati Omi abriu o palco para a Noite dos Tambores do Revelando SP, em Valinhos.

Este ano a nossa cidade vizinha foi anfitriã do festival que já está em sua décima nona edição. O festival reuniu ao longo de nove dias, diversas comunidades, grupos e artistas das expressões tradicionais, além de barracas de artesanato, culinária, vestuários e artefatos diversos que representam a cultura paulista.

A Noite dos Tambores é composta por uma diversidade de expressões oriundas das matrizes africanas em que os tambores protagonizam, junto da oralidade cantada, as formas de comunicar as tradições locais. O Afoxé Ibaô Inã ati Omi teve a honra de ser convidado para a abertura da noite e a apresentação contou com o repertório de composições próprias, cantigas de domínio de nação e algumas composições dos nossos padrinhos Afoxé Oyá Tokolê de Recife (PE).

Nossos agradecimentos ao Revelando SP e à Secretaria Municipal de Cultura de Campinas. Os registros são da nossa semente @Madyh Castro.

Expressões periféricas #ritmo e #poesia. Salve o RAP nacional!

No dicionário “sarau” possui varias definições, entre elas: “uma reunião festiva entre amigos onde se ouve músicas, assiste filme, filosofa, lê trechos de livro, recitam poesias”. Tudo isso aconteceu sábado, na edição de setembro do Sarau Ibaô Expressões Periféricas. Mais um encontro de pessoas que acreditam no poder da expressão poética, seja através da poesia recitada, cantada, performada, sentida, muita linguagem periférica exprimida. Noss@s parceir@s não mediram esforços para fortalecer, vieram de todas as regiões de Campinas e da Capital SP, provando que não há distância quando o quê prevalece é o desejo de transformação das realidades periféricas. Tod@s carregad@s de energia vibrante, pulsando desejo de expressão.

O Expressões Periféricas é um espaço aberto para a comunidade se manifestar, o microfone aberto é o lugar de se posicionar e de transformar. É a comunidade acolhendo a comunidade, é o olhar coletivo que transforma e é transformado. Arte e poética transformando a ação, a transformação social que reverbera através da potência das linguagens artísticas, da poesia e do coração. A poesia que se faz e reverbera amor. Cada sarau é um sarau, um aprendizado, uma emoção, muitos corações unidos pela canção… O mundo precisa de poesia, o mundo precisa de sarau.

As diversas formas e linguagens de pulsar a cultura nas comunidades periféricas são quase sempre a soma de potências criativas invisibilizadas, pouco ou quase nada incentivadas. Ainda assim[!], as expressões periféricas reescrevem um outro capítulo nas páginas das desigualdades, revelando outros universos possíveis, apesar das ausências sociais e afetivas, sempre multiplicadas.

A edição de setembro foi um encontro improversado de vári@s rappers, chamando foco para o peso e a importância do rap e do hip hop, como fontes inesgotáveis de comunicação, linguagem, produção cultural e artística. Seu nascedouro e fonte de inspiração primária são as ruas, os guetos, favelas e todos os lugares localizados à margem dos fluxos econômicos e não o bastante, lugares que alimentam as estatísticas produzidas e mantidas pelas grandes corporações midiáticas. Aquelas que só chegam para noticiar a violência e não para desesconder ou projetar a arte que este mesmo lugar produz…

Marcaram presença na noite de sábado: Doutor Sinistro, Lê MC, REN CPS, Mister Mistério, Lá Máfia, RCDR, Cizo Marfim, HAAK MC e Kabbalah MC’s [de Campinas], com participação especial do Crônica Mendes, que saiu da capital para prestigiar nosso sarau e deixou seu recado musicado “Avisa lá que a favela não tá só…” Seguimos alimentando nossos sonhos, acreditando que a sociedade transformadora e transformada, é essa, vivida na dureza do dia a dia, buscando meios próprios de criar e dizer ao mundo como as coisas podem mudar [e já são diferentes], quando a escolha é compartilhar a soma das potências criativas [e afetivas].

Texto | [Co]Criação: Andrea Mendes, Lu Pontes e Ale Gama.